Muitos visitantes saem do Lago Rosa sem saber realmente por que esta água muda de cor. A resposta resume-se numa palavra: Dunaliella. Eis a explicação científica, simples e verificada, por detrás de uma das paisagens mais singulares do Senegal.
Uma microalga na origem de tudo
A cor do lago Retba, o seu nome uólofe, provém de uma microalga microscópica chamada Dunaliella salina, invisível a olho nu. Para sobreviver numa água extremamente salgada, esta alga produz um pigmento protetor, o betacaroteno, que a protege da intensa radiação solar. É este pigmento, presente em grande quantidade, que tinge a água do lago de rosa a laranja, consoante a concentração.
Por que o sal muda tudo
O lago Retba é uma laguna costeira isolada do mar, sem escoamento natural significativo. A intensa evaporação na estação seca concentra o sal numa água pouco profunda, criando um ambiente próximo do Mar Morto. Quanto mais a salinidade sobe, mais pigmento a alga produz para se proteger, e mais a cor do lago se intensifica visualmente.
- ▸Forte evaporação na estação seca → sal cada vez mais concentrado.
- ▸Salinidade elevada + forte insolação → a alga Dunaliella produz mais betacaroteno.
- ▸Pigmento concentrado na água → tom rosa a alaranjado visível a partir da margem.
O melhor momento para observar a cor
O fenómeno é sobretudo visual: vê-se melhor quando o sol está alto, entre as 11h e as 15h, com céu limpo. A luz direta realça os matizes do pigmento à superfície da água, enquanto um céu encoberto ou uma luz rasante o atenuam fortemente, mesmo que a salinidade se mantenha igual. Um passeio de pirogue permite ainda longear as zonas mais concentradas em sal, muitas vezes as mais coloridas.
Após as chuvas excecionais da estação chuvosa de 2024, a entrada de água doce fez baixar a salinidade do lago, atenuando a sua cor em alguns pontos durante vários meses. A colheita de sal foi retomada desde então, mas o fenómeno ilustra bem até que ponto a cor depende de um equilíbrio preciso entre água, sal e sol.
A colheita de sal, uma atividade ligada ao mesmo fenómeno
Esta forte salinidade não é apenas um espetáculo: também permite a colheita artesanal de sal, uma atividade tradicional ainda praticada nas margens do lago. Os colhedores mergulham várias horas numa água saturada de sal, protegidos por manteiga de karité, antes de carregar o sal extraído em pirogues.
Perguntas frequentes
Não, mas a água muito salgada pode irritar a pele em caso de exposição prolongada sem proteção: os colhedores usam tradicionalmente manteiga de karité, e os visitantes podem simplesmente evitar um banho prolongado.
Não, o tom é muito mais visível entre as 11h e as 15h, sob forte insolação direta; esbate-se visualmente de manhã cedo, ao final do dia ou com céu nublado.
Sim, e a forte salinidade permite flutuar facilmente, um pouco como no Mar Morto. Ainda assim, é melhor enxaguar a pele com água doce depois do banho.
Em resumo
A cor do Lago Rosa não tem nada de mágico: é uma microalga, uma salinidade extrema e uma forte insolação que, combinadas, dão este espetáculo rosa-alaranjado único na África Ocidental. Para o observar bem, aposte na estação seca, no meio do dia e num céu limpo.
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